17 de setembro de 2010

Lodjong XXV

25) Lodjong: Bodhicitta relativo
    (Perguntas/Respostas – parte 1)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Bodhicitta relativo, perguntas – respostas (de 1 a 4):

IV – BODHICITTA RELATIVO
Perguntas/respostas
1 – O tonglen é uma meditação analítica?
De facto, praticar tonglen não é de todo uma meditação analítica.
No entanto, a «meditação analítica» e a «meditação contemplativa» estão frequentemente estreitamente imbricadas, sendo uma certa démarche analítica mais ou menos a premissa de uma démarche verdadeiramente contemplativa: começamos por nos interrogar e depois, para lá da interrogação e das respostas teóricas, pode haver aí uma experiencia, uma observação, uma contemplação mais directa.
Pode ser útil desenvolver uma certa compreensão intelectual como base, e uma certa meditação analítica é útil, mas unicamente como premissa e como trampolim para a contemplação que, só ela, na vivencia directa da experiencia, tem um poder verdadeiramente libertador.
Mesmo quando meditamos nas quatro ideias fundamentais, ou na morte por exemplo, isso pode ser feito de uma forma analítica e depois contemplativa. Podemos analisar - «Todos os homens são mortais. Eu sou homem, eu sou mortal.» - Ou podemos passar em revista todos os casos de morte, a incerteza do momento da morte, tudo o que nos pode ser enunciado como razão da nossa mortalidade. Mas há também uma abordagem mais contemplativa, que não repousa simplesmente sobre o discurso do mental, que nos permite tomar consciência de uma forma mais pessoal e muito mais íntima da realidade da nossa impermanência.
Não obstante, a consideração de todas as razões que fazem que a impermanência seja uma realidade e que a morte é uma etapa, é uma espécie de preliminar a uma tomada de consciência muito mais profunda.
Na prática de tonglen, vocês podem passar em revista todas as razões pelas quais a vossa mãe foi generosa, boa, afectiva, atenta… mas o importante é descobrir a nossa capacidade real de sermos tocados.
Há também aí a passagem de uma démarche discursiva, analítica a uma vivida.
É ainda mais verdade nas práticas tais como o exame da natureza da realidade, ou o exame da natureza do espírito.
Podemos ter um conhecimento intelectual muito refinado da vacuidade, do não ego… mas há uma diferença radical entre este discurso sobre a vacuidade e a experiência daquilo que se trata. Pois a experiência final da vacuidade é precisamente a própria ausência de análise, de analisador e de analisado.
Por mais tempo que nos fiquemos pelo discurso e pela análise, o alaya permanece velado pelo discurso.
E é a isso que faz alusão esta estância: «O remédio dissolve-se de si próprio.»
Cessando de nos apoiarmos sobre uma compreensão conceptual, para lá desta, há a contemplação que é a do espírito que repousa em sim mesmo, que pode ver como é sem disfarces».
2 – O que é que pensa da agressividade tão comum nos média?
A sobre informação, a sobre abundância de dados não nos sensibiliza verdadeiramente para o sofrimento.
Pelo contrário, o facto de ser possível ver na televisão uma vintena de assassínios por semana todas as noites misturados, leva a banalizar, a vulgarizar, a fazer com que a violência entre no domínio corrente e normal.
E assim em vez de estimular uma verdadeira sensibilidade, provoca antes uma espécie de hábito e por fim uma indiferença. «Mais um que foi morto.»

3 – Na vida quotidiana, somos tocados mas esquecemo-nos?
O que é interessante de ver é que somos frequentemente tocados mas que há imediatamente uma espécie de recuperação e depois, por fim, de inibição.
Há um começo de intercâmbio mas, em vez de termos uma atitude de compaixão e de aprofundar o intercâmbio, fechamo-nos, reajustamos a nossa atitude e voltamos ao nosso território…
4 – A compaixão é uma emoção?
A compaixão é uma emoção no sentido em que invoca em nós um sentimento que não nos deixa indiferente, que desperta uma energia que pode ser intensa.
Mas não é uma emoção conflitual pois a verdadeira compaixão é o participar do mal, da paixão do outro.    
Uma verdadeira compaixão é fundada sobre o reencontro com o outro e com a partilha do seu sofrimento, com a experiência deste.
O que é muito diferente de uma emoção conflitual na qual há o sentimento do eu que se afirma, se desenvolve sobre a base da emoção numa espécie de oposição. A compaixão verdadeira não é fundada sobre a afirmação do eu, mas pelo contrário sobre uma abertura desse eu que permite um reencontro, uma partilha e também uma troca.
(Continua…)

Sem comentários:

Enviar um comentário