24) Lodjong: Bodhicitta relativo (Máxima 10)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo
10 – A sequência do acolhimento começa por ti
c) Entre as sessões sentadas
IV – BODHICITTA RELATIVO
«A sequência do acolhimento começa por ti mesmo.»
Vimos que a troca é justa na medida em que vai no sentido da união.
Trata-se então, praticando connosco, reunirmo-nos a nós mesmos.
Reunirmo-nos a nós mesmos é parar de lutar constantemente sendo-se dois, um contra o outro. É reconciliarmo-nos connosco e essa reconciliação pode tomar a forma da troca: a aceitação é entrar na presença daquilo que temos de difícil e o dom é o de nos abrirmos às nossas qualidades.
Falamos por vezes de desenvolver uma amizade com nós próprios. Em vez de querer esconder sempre debaixo do tapete as nossas zonas de sombra, aceitamos vê-las.
Acolhemos com doçura todo o tipo de aspectos da nossa pessoa, as atitudes, que habitualmente recusamos e ocultamos.
Há ao mesmo tempo a outra fissura que é o dom. O dom consiste aqui em reconhecer as nossas qualidades, em reconhecer o que há de são, de positivo em nós.
Muito frequentemente temos de nós uma fraca imagem: não nos amamos. Nós somos no entanto, quem quer que sejamos, fundamentalmente sãos. É certo que o fundo pode ser profundo e a água que dele nos separa pode estar turva mas o fundo é bom.
Essa bondade fundamental traduz-se, ao nível das nossas experiências habituais, por todo o tipo de qualidades. Trata-se de as reconhecer e de darmo-nos conta que temos um potencial extremamente rico que nos permite, se o quisermos, de fazermos face à situação. É possível. É importante entrar na experiência da realidade dessas qualidades.
Entregamo-nos então àquilo que somos. É o dom.
Se formos nesse sentido, as conciliações e reconciliações que se seguem ajustam-se naturalmente por si mesmas, nos seus detalhes.
O ponto é que se não há já uma certa paz connosco próprios, é difícil poder estar autenticamente em paz com os outros. Se não estamos em paz com a nossa própria alteridade, é difícil estarmos em paz com os outros.
No entanto, é certo que um trabalho com os outros é importante desde o início e que é preciso começar a trabalhar sobre os dois planos ao mesmo tempo, mas compreendendo que a paz interior está na origem da paz exterior.
Esta máxima pode ser compreendida como a aceitação das nossas dificuldades pessoais presentes mas também as dificuldades e sofrimentos que aparecem.
É o aceitar a realidade da situação, o que nós somos, o que experimentámos e também o que vamos viver; sobre a base desta abertura, é de seguida possível agir de forma benevolente.
(continua…)
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