3) Lodjong: A preciosa existência humana
Homenagem à imensa Compaixão
As preliminares, bases do ensinamento.
Djodang.
Prefácio: Esta primeira máxima é composta por uma breve introdução, de seguida as quatro ideias fundamentais e por fim a conclusão com as perguntas/respostas.
1 - Começa por praticar as preliminares
a) As preliminares aos ensinamentos: As Quatro Noções Fundamentais
b) As preliminares a uma sessão de prática
II – AS PRELIMINARES (continuação)
Mudar a nossa mentalidade.
A preciosa existência humana
A primeira destas quatro tomadas de consciência é a da «preciosa existência humana.» É uma tomada de consciência do valor da nossa situação e das suas possibilidades. Habitualmente, não estamos conscientes da riqueza de oportunidades que temos. Frequentemente chegamos mesmo a depreciar a nossa situação.
Fundamentalmente a existência humana é, entre todas as possibilidades de existência, um estado muito raro e, entre as vidas humanas, a nossa é preciosa: nós encontrámos um ensinamento autêntico e temos a inteligência e as faculdades que nos permitem segui-lo.
Podemos facilmente notar que no nosso mundo as pessoas que possuem as liberdades e a qualificação para praticar uma via espiritual são extremamente raras. As apresentações tradicionais mostram-nos tudo isso de uma forma muito elaborada com as oito liberdades e as dez qualificações. Entre outras, há o local de nascimento, os factores incapacitantes, a existência de um professor qualificado, o facto de ele transmitir o seu ensinamento...
Em todo o caso, o que é importante perceber é que hoje somos livres para praticar o ensinamento, que temos também todas as qualidades que são necessárias para o fazer, e que esta situação livre e qualificada é extremamente rara.
Os três tipos de existência humana
Tradicionalmente falamos de três tipos de existência humana: a má, a vulgar e a preciosa. A má existência humana é aquela em que se passa o tempo, movido pelas suas paixões, a seguir os impulsos do ego e a praticar todo o tipo de actividades egocêntricas, passionais e negativas. Gera-se aí um karma negativo que terá ulteriormente consequências penosas.
A existência humana vulgar é a mais comum. É uma existência na qual não se faz nada de particularmente bom nem nada de particularmente mau. É a existência banal, a mais conhecida, mas, de certa forma, não muito diferente de uma existência animal: vivemos, protegemo-nos, alimentamo-nos...
A preciosa existência humana é aquela em que escolhemos utilizar as oportunidades da vida para ir em direcção ao essencial. É a existência humana que permite consagrar-se a uma busca espiritual e a um caminho verdadeiro. De todos os estados de existência é a condição em que é mais fácil chegar ao despertar. É um estado particularmente propício e favorável à realização.
Por mais maravilhoso que possa parecer, nós temos a preciosa existência humana: Somos livres para nos consagrarmos ao caminho, não há qualquer obstáculo importante, temos alguma motivação, entrámos em contacto com o ensinamento, podemos compreendê-lo, praticá-lo... É uma situação que é dita "extremamente “rara".
Por mais maravilhoso que possa parecer, nós temos a preciosa existência humana: Somos livres para nos consagrarmos ao caminho, não há qualquer obstáculo importante, temos alguma motivação, entrámos em contacto com o ensinamento, podemos compreendê-lo, praticá-lo... É uma situação que é dita "extremamente “rara".
Uma imagem tradicional muitas vezes citada compara a nossa situação com o ter chegado a um país provido de todas as riquezas, uma espécie de Eldorado; não aproveitar estas oportunidades é, segundo a imagem, "voltar desse país de mãos vazias". Uma outra imagem que ilustra a sua raridade, compara o conjunto das possibilidades de existência com o grande oceano. Compara a consciência a uma tartaruga cega que nada no fundo deste oceano e o nascimento humano a um jugo de madeira errando à superfície. A tartaruga é cega, o que significa que não é livre para se orientar. Ela apenas emerge à superfície uma vez de cem em cem anos. No entanto, diz-se que a probabilidade de nós obtermos a "preciosa existência humana" é ainda menor do que a da tartaruga cega, ao nadar no grande oceano, poder vir a colocar o seu pescoço na abertura da peça de madeira quando emerge.
Nós temos a natureza de Buda
Tomar consciência da preciosa existência humana está também intimamente ligado a esta boa notícia que é o facto de termos a natureza de Buda.
É um ponto sobre o qual é importante insistir no Ocidente. Esta existência é preciosa, porque temos a natureza de Buda. É possível caminhar, é possível transformarmo-nos porque temos a natureza de Buda e porque os impedimentos, as nódoas que a escondem, a velam, não são essenciais: são simplesmente o resultado de uma série de ilusões - ilusões que no entanto constituem o nosso lote diário, aquilo em que vivemos habitualmente.
Assim, a primeira tomada de consciência é a da nossa natureza iluminada e a possibilidade que temos de realizá-la, de reintegrá-la. É possível, foi a descoberta essencial do Buda e o ponto de partida do seu ensinamento.
Trata-se de gostarmos da pessoa que somos, de termos gosto em ser uma boa pessoa. Somos uma pessoa fundamentalmente boa numa boa situação. Nós temos a natureza de Buda e as condições propícias para que esta se possa actualizar.
Assim, a primeira tomada de consciência é a da nossa natureza iluminada e a possibilidade que temos de realizá-la, de reintegrá-la. É possível, foi a descoberta essencial do Buda e o ponto de partida do seu ensinamento.
Trata-se de gostarmos da pessoa que somos, de termos gosto em ser uma boa pessoa. Somos uma pessoa fundamentalmente boa numa boa situação. Nós temos a natureza de Buda e as condições propícias para que esta se possa actualizar.
Tomar consciência disto é uma grande mudança de mentalidade e, se o vivermos, se entrarmos nesta experiência, isso transforma-nos.
Trata-se de compreender que temos tudo o que necessitamos e que só depende de nós fazer aquilo que é necessário. Temos a nossa evolução e o nosso destino nas nossas mãos.
Da apreciação do valor da vida humana surge a resolução de lhe dar o seu verdadeiro significado consagrando-nos ao essencial: o caminho na prática do Dharma. Esta tomada de consciência destina-se a estimularmo-nos para não deixar que essas oportunidades se percam. Pois esta preciosa vida humana é impermanente.
(Continua…)
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