24 de abril de 2010

Lodjong IX

9) Lodjong: A prática principal (máxima 2)

Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

2 - Considera os fenómenos como sonhos
III – BODHICITTA ÚLTIMO
Poder-se-ia também dizer: «Experimenta todas as coisas como sonhos.»

Para se se abrir ao despertar do coração e do espírito é necessário acalmar-se. É na quietude que se relaxam as concepções. Trata-se de acalmar o que nós somos.
O facto é que a solidez do que somos constrói-se na relação sólida que mantemos com um mundo sólido. A prática é o aprender a ver a fluidez do mundo, o que permite ter com este uma relação mais suave e assim descontrair-se interiormente, ser-se menos duro, menos sólido. É aí que intervém este aforismo.
No sonho, o «pensador-sujeito-onírico» experimenta as projecções do seu espírito como mundo onírico; e se virmos as nossas projecções diurnas pelo que elas são, vimos todas as coisas como sonho.
É uma forma de sugerir que estas experiências são destituídas de natureza própria, de natureza em si, como o seria a experiência de um sonho reconhecido como tal.


As nossas experiências habituais são vividas como coisas reais, tangíveis, sólidas, concretas: temos a impressão de que a nossa experiência de uma situação é «o que é tal qual o que é».
Tomamos a nossa experiência pela realidade e fixamo-nos nessa experiência como definitivamente real; a prática aqui consiste em suprimir ou a reduzir essa fixação. Em vez de considerar as nossas experiências como tangíveis, reais, concretas, aprendemos a considerá-las como sonho, semelhantes a uma projecção onírica. E, de facto, é a natureza verdadeira delas.
Tudo o que experimentamos habitualmente, tudo o que apreendemos no nosso conhecimento como objectos exteriores, é de facto uma projecção do nosso espírito que, no seu processo cognitivo, identifica, agarra todos esses objectos que constituem o seu mundo e que apreende como sendo reais. Fora dessa existência enquanto projecções do nosso espírito, as aparências do mundo exterior não têm realidade própria, não têm realidade em si mesmas.
Empregamos frequentemente outras imagens para evocar isto, como o reflexo da lua na água, uma miragem, uma alucinação, uma projecção… mas a principal é a do sonho.

O facto de reconhecer que a nossa experiência é o resultado das nossas projecções introduz-nos a um certo soltar; e há desde logo aí o princípio de uma experiência de transparência. Se não tomamos a nossa versão da situação como a realidade verdadeira e definitiva, é cada vez mais possível ver através das nossas projecções que se tornam então mais transparentes.
(continua…)   

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