1 de maio de 2010

Lodjong X

10) Lodjong: A prática principal (máxima 3)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

3 – Contempla a essência da inteligência não-nascida.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Contempla a natureza não nascida do conhecedor.» «Contempla a natureza do conhecimento inato.»
É também ver a vacuidade da experiência, ver a vacuidade do experimentador. Para se ver, olha-se. Olhamos então aquilo que somos, aquilo que é o sujeito observador; e à força de observar o que pela sua natureza se esconde à observação, observamos o sentido do inobservável…
É uma paráfrase de uma estância dos Votos de Mahamudra.
É uma espécie de koan. À força de contemplar, de, «girar cada vez mais depressa», pode haver aí uma fresta… uma observação que é nesse momento uma visão da vacuidade. É a vacuidade do observador.
A primeira estância toma em consideração, mais particularmente, os fenómenos do mundo exterior, os objectos. Esta interessa-se pelo conhecedor, pelo espírito que conhece ou que faz a experiência dessas aparências como sendo semelhantes a um sonho
Esse espírito, esse conhecedor, esse conhecimento, como é que são eles?
Examinamos assim esse espírito, o nosso espírito, mesmo se há uma “démarche” paradoxal na tentativa do sujeito observar-se a si mesmo, sendo que aquele que procura é precisamente aquele que é suposto ser visto. Assim, há muitas etapas nesta prática e a contemplação do que nós somos, daquilo que em nós conhece, a contemplação do conhecimento nele mesmo revela-nos pouco a pouco uma situação muito mais fluida e suave, pois não encontramos profundamente alguma coisa de estável, de sólida à qual possamos dar o nome de eu, de observador ou de conhecedor.

Ao examinar este espírito damo-nos conta que os seus aspectos passados são simplesmente passado, que o espírito futuro não tem ainda existência e que o espírito presente, a bem ver, também não tem uma consistência ou uma realidade palpável: se o considerarmos em detalhe, se o analisarmos, ele desaparece. Nessa perspectiva, ou bem que este espírito presente não existe, desaparecendo como acabamos de evocar, ou então ele é um conhecimento que, repousando em si mesmo, conhece em si mesmo.
Quando a natureza verdadeira do espírito é contemplada, para lá da noção de eu, de observador, de ponto de referência central, esse conhecimento tem um carácter total, absoluto, de tal maneira que nada é senão ele mesmo.
E, na ausência de alteridade, esse conhecimento não tem criador. É por isso que ele é inato, o que quer dizer «não produzido».
A prática sugere contemplar a natureza do conhecedor e, nessa contemplação, o conhecedor enquanto sujeito, enquanto observador ou enquanto eu, desaparece também.
Bodhicitta ao nível último desenvolve-se na experiência da transparência das projecções exteriores e depois na do conhecedor que delas é testemunha.
(continua…)
  

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