9 de julho de 2010

"Um mundo diferente é possível?"

Caros amigos,


A conferência "Um mundo diferente é possível?" que a Prof.ª Manuela Silva a convite conjunto da Sangha Rimay Lusófona e da Associação Abril ia proferir, foi reagendada para o dia 15 de Julho (quinta-feira) às 19h00 na sede da Associação Abril  - Rua de São Pedro de Alcântara, n.º 63, 1ºDt ( junto da Igreja da Misericórdia e em frente ao jardim de São Pedro de Alcântara - metro Chiado, elevador da Glória, bus 58).


O tema relaciona-se com o contexto da actual crise económico-financeira que abala o mundo ocidental e. em particular, Portugal.


Esperamos que vos agrade a nossa proposta e que tragam outros amigos.
Um abraço de amizade.

2 de julho de 2010

Lodjong XVIII

18) Lodjong: Bodhicitta relativo (Aceitar e dar)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo

IV – BODHICITTA RELATIVO

Aceitar e dar
Podemos começar a praticar esta troca sentados sobre uma almofada.
Estamos sentados e, em vez de estarmos numa atitude tensa e crispada, em vez de nos bloquearmos «fechando-nos numa carapaça» aprendemos a relaxar-nos e a aceitar, aceitar a estarmos expostos.
Aceitando-o plenamente, completamente, sem recusa nem resistência, não há embate. Quando a aceitação é plena, o carácter conflitual da situação tem tendência a desaparecer; nós não resistimos senão perante alguma coisa que é recusada.
Assim, o indesejável completamente aceite dissolve-se e o conflito desaparece. Fala-se por vezes de tomar sobre si o indesejável, mas a expressão «tomar sobre si» presta-se a confusão; não se trata de tomar sobre os ombros um fardo. Trata-se antes de aprender desaparecendo: aceitamos abrir-nos metendo-nos entre parênteses, aceitando plenamente.
Depois aprendemos a dar.
É o movimento inverso que consiste em aceitar dar tudo o que temos de bom, de positivo. Geralmente não estamos dispostos a dar, seja de nós ou do que é nosso. Temos uma mentalidade de pobreza, temos a impressão de já termos pouco e de não nos restar grande coisa se dermos.
Trata-se de realizarmos que podemos levar alguma coisa.
Se tentarmos verdadeiramente, se não estamos à defesa, descobrimos que temos alguma coisa a dar, de uma forma muito simples.
Depois, ao dar, descobrimos mais riqueza e aprendemos assim a ultrapassar todas as hesitações, as resistências e realizamos que cada vez temos mais para dar, para oferecer… e quanto mais damos, mais nos abrimos e mais descobrimos uma riqueza, uma riqueza inesgotável. É o dom.
É no ultrapassar esta fronteira, esta barreira, este mundo egótico que se desenvolvem ao mesmo tempo a compaixão e a abertura.
Esta troca, esta comunicação livre, permite abrirmo-nos às situações e ter com elas uma relação radicalmente diferente. Aprendemos, de seguida, a transpor este estado de espírito e este tipo de relação a todos os tipos e acontecimentos da nossa vida.
Aprendendo a fazer esta troca, esta aceitação e este dom, desenvolvemos uma compaixão e um amor autênticos. Não se trata de um amor idiota no qual aceitaríamos como quer que fosse, o que quer que fosse, e daríamos da mesma maneira.
Ao aceitar a situação, cessando recusá-la, nós expomo-nos à realidade da situação e, ao aceitar dar abrindo-nos sem resistência, oferecemos à situação aquilo que somos verdadeiramente, e há nesta prática uma inteligência extremamente profunda.
Estes dois movimentos, de aceitação do indesejável e de dom do que temos a tendência a estarmos apegados, são a base da meditação de tonglen.
(continua…)

29 de junho de 2010

Adiada a conferência "Um mundo diferente é possível?"

Na passada sexta-feira anunciámos a conferência organizada em conjunto pela Associação Abril e pela Sangha Rimay Lusófona, "Um mundo diferente é possível?"
Porém, por motivos alheios às duas entidades e à conferencista convidada, a professora Manuela Silva, a conferência, agendada para hoje (dia 29 de Junho) às 19h00 foi adiada.
As razões que nos levaram a tomar esta decisão, prendem-se com o facto de à mesma hora haver, junto à sede da Abril, um encontro de adeptos do futebol que se adivinha festivaleiro e ruidoso.
Pelo facto pedimos as nossas desculpas. Assim que tivermos nova data para daremos notícias. Até lá divirtam-se também com a festa do futebol.

25 de junho de 2010

Lodjong XVII

17) Lodjong: Bodhicitta relativo (A troca de si pelo outro)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo
IV – BODHICITTA RELATIVO
A troca de si pelo outro
A aprendizagem do espírito propõe-nos que aprendamos a ultrapassar a nossa atitude habitual, com a sua vontade de possessão e de exclusão, e sugere-nos a possibilidade de um modo de ser, de um modo de relação no qual abrimos as nossas fronteiras, os limites do nosso território.
Ao abrir os limites do nosso território, aceitamos a vinda dos outros, aceitamos comunicar, trocar… e aceitamos também a possibilidade de dar.
Na fronteira do nosso território, há todo um conjunto de sistemas de defesa sofisticados para evitar ser-se invadido pelos intrusos, pelo indesejável e para guardarmos os nossos tesouros. Há uma possessividade e também uma atitude extremamente proteccionista: estamos fixados naquilo que estimamos ser bom e lutamos todo o tempo para evitar o que estimamos ser mau.
Esta atitude territorialista está na origem de todas as paixões, quer seja a agressão, o desejo, o apego ou as outras paixões que, de uma forma directa ou secundária, daí resultam.
Esta mentalidade do ego poderá resumir-se a: «Tudo o que é bom para mim e todo o resto fica de fora» É o instinto do ego.
A prática de tonglen, como aprendizagem do espírito desperto nas situações relacionais, vai ensinar-nos a ultrapassar as resistências que nos impedem de aceitar e de dar invertendo a nossa atitude egocentrada: para isso pomo-nos no lugar do outro e pomos o outro no nosso lugar.
Em vez de nos considerarmos todo o tempo como o centro, pomos o outro no nosso lugar e aprendemos a considerá-lo como sendo mais importante. É o que é chamado a troca de mim pelo outro.
O importante, num primeiro tempo, é compreender que o funcionamento egocentrado, com estas noções de território, de fronteiras… é problemático, fonte de fixações e de paixões, e ver tudo o que a abertura e a generosidade, o dom, o abandono, que propõe a prática de tonglen, podem ter de positivo.
(continua…)  

"Um mundo diferente é possível?"

No plano de actividades da Abril salientámos o propósito de desenvolver o lema "a cultura do desassossego", abordando questões da actualidade e da cidadania, o que temos realizado durante este ano.

Desta vez queremos abordar o tema "Um mundo diferente é possível?", enorme desafio  no contexto actual da presente crise económico-financeira que abala o mundo ocidental e em particular Portugal.  
Assim, em colaboração com a Sangha Rimay Lusófona convidámos  a professora Manuela Silva, grande especialista nesta matéria, para um debate sobre o momento que se vive em Portugal e no mundo e sobre o papel dos cidadãos numa possível e necessária mudança de modelo político, económico e social.  

O encontro realiza-se no dia 29 de Junho,  terça feira , às 19.00h na sede da Associação Abril, Rua de São Pedro de Alcântara, n.º 63, 1ºDt ( junto da Igreja da Misericórdia e em frente ao jardim de São Pedro de Alcântara - metro Chiado, elevador da Glória, bus 58).
Esperamos que vos agrade a nossa proposta e que tragam outros amigos.
Um abraço de amizade.

12 de junho de 2010

Lodjong XVI

16) Lodjong: Bodhicitta relativo (O egoísmo inteligente)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo
IV – BODHICITTA RELATIVO
O egoísmo inteligente
Para abordar a prática de tonglen, é desde já importante ver como é que nós funcionamos habitualmente.
No nosso estado de espírito habitual, temos um certo território que constitui o domínio do nosso ego: eu e o que é meu.

5 de junho de 2010

Lodjong XV

15) Lodjong: Bodhicitta relativo (A vida como via)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo
IV – BODHICITTA RELATIVO
Vimos bodhicitta último enquanto experiência directa e imediata; Vimos também a prática do rappel como o regresso a instantes de bodhicitta último; vamos continuar agora encarando bodhicitta, o espírito desperto, na sua dimensão muito mais corrente, relativa e relacional. É a atitude de espírito justa nas situações relacionais da vida quotidiana.
Como desenvolver bodhicitta, o espírito desperto, nas situações relacionais, quando estamos com os outros? Bodhicitta relativo é antes do mais fundado sobre uma qualidade de doçura, de ternura, de benevolência, que é o fundamento desse coração nobre, dessa nobreza de coração que é a compaixão. E esta desenvolve-se na prática de tonglen. É um termo tibetano: «tong» significa enviar, ou também soltar, e «len» significa receber, por vezes dizemos tomar.