20) Lodjong: Bodhicitta relativo (A prática sentada)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta relativo
IV – BODHICITTA RELATIVO
A Prática sentada
Na prática sentada, seguimos aproximadamente as mesmas etapas. Metemo-nos primeiro em situação. Sentimos que podemos ser tocados, vulneráveis. Imaginamos essa pessoa cujo sofrimento não nos pode deixar insensível e estamos disponíveis a estarmos expostos, a tomar em nós e também a dar.
Quando aceitamos, meditamos que nos deixamos penetrar pela dificuldade, pelo indesejável até ao mais profundo de nós mesmos. O nosso abandono da resistência não é simplesmente um abandono ao nível epidérmico nem mesmo através de um estrato ou dois da nossa carapaça, mas aceitarmos ficar completamente nus e sermos penetrados até ao mais profundo de nós próprios.
Podemos mesmo dizer que desvanecemos perante as coisas negativas, no sentido de que não oferecemos qualquer resistência, qualquer recusa. Há uma aceitação plena, completa e sem limites. E quando damos, é também um dom sem limites que parte do centro do nosso coração.
Treinamo-nos assim neste movimento duplo imaginando que incorporamos as dificuldades, a negatividade, sob uma forma de sombra, como um fumo escuro que nos penetra até ao mais profundo de nós próprios; na ausência completa de resistência, chegado ao centro do nosso ser, tudo se dissolve.
Depois, deste mesmo centro, do nosso coração, sob uma forma clara, luminosa, irradiante, nós damos, irradiamos coisas boas, bondade, felicidade, tudo o que é positivo.
Também aqui num movimento ilimitado, sem nenhuma reserva; não sentimos um sentimento de pobreza: aceitamos dar e o nosso coração é como uma fonte inesgotável de coisas boas, uma luz que irradia e se difunde sem limites.
Voltando, de tempos a tempos, à situação inicial que era a experiência do ponto sensível, desenvolvemos este movimento duplo de aceitação e de dom utilizando o suporte visual que é a incorporação de uma forma obscura e a irradiação de uma luz clara.
De seguida, quando experimentámos esta aptidão à aceitação e ao dom tocando o nosso ponto sensível, alargamos esta prática aprendendo a considerar cada ser como sendo a nossa própria mãe, como sendo igual a esse ser que nos é mais querido.
Através dos nascimentos inumeráveis, todas as conexões possíveis existiram com todos os seres e não há nenhum que não tenha sido a nossa própria mãe, que não tenha sido a pessoa que nos é querida entre todas.
Aprendemos a ver em cada pessoa assim, alguém que nos é querido e a praticar tonglen, aceitar-dar, alargando o círculo de pessoas que tomamos como referências.
Podemos também meditar em pessoas com quem tenhamos tido dificuldades concretas. Se temos uma dificuldade concreta com alguém, podemos imaginar essa pessoa e aprender a aceitar e a dar, a ultrapassar as prevenções, os à priori, a agressividade, a recusa, os bloqueios e a dar.
(continua…)
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