14 de maio de 2010

Lodjong XII

12) Lodjong: A prática principal (máxima 5)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

5 – Ficar então na natureza do alaya é a essência da via.
III – BODHICITTA ÚLTIMO
Pode também dizer-se «Permanecer na natureza do alaya é a essência da via». Ou: «A essência da via é ficar na natureza do alaya.»
Distinguimos frequentemente oito níveis de consciência. Há as consciências sensoriais ligadas aos seis sentidos; são as primeiras. Há uma sétima consciência que se apropria, se enxerta às seis primeiras. É de alguma forma a consciência das seis primeiras consciências, o facto de se ser consciente, de perceber em termos de objectos visuais, auditivos, olfactivos, etc. É a consciência do ego, o sentimento do eu que se vem enxertar às experiências sensoriais. E o oitavo nível é o que chamamos de consciência fundamental, o alaya-vijñana, ou muito simplesmente o alaya.
É o nível fundamental que é a base tanto da confusão e da experiência do samsara como do despertar.

7 de maio de 2010

Lodjong XI

11) Lodjong: A prática principal (máxima 4)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)            Durante as sessões sentadas

4 – Mesmo o que já foi remédio auto-liberta-se.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Deixa a liberdade libertar-se de si mesma.» «Deixar os remédios libertarem-se de si mesmos.» Ou ainda: «O remédio liberta-se de si próprio.»
Todas as considerações que utilizámos para chegar à experiência de não-concepção, paremos de as conceber. Temos necessidade de concepções para realizar o para lá das concepções mas por fim é necessário abandonar as concepções, tendo elas sido antídotos. Senão as concepções continuam indefinidamente e tornam-se o obstáculo à não-concepção. Este «abandonar» é um desapegar radical, ranbap em tibetano.
A prática mais profunda de bodhicitta último requer que as produções mentais, utilizadas num primeiro tempo como remédios, por sua vez se apazigúem; pois enquanto o espírito funcionar nas suas concepções, está numa experiência dualista.
Por antídoto, entendemos os diferentes meios, os diferentes métodos usados precedentemente. Num primeiro tempo, consideramos o que nos aparece como projecções, depois consideramos a insubstancialidade do observador.
Estas considerações são um remédio para a nossa percepção habitual na qual vivemos o mundo exterior assim como nós mesmos, como sólidos, como existindo realmente. Depois, esses remédios devem eles próprios ser ultrapassados numa atitude de descontracção e de abandono. Abandonamos até a consideração de remédios, deixamo-la a ela mesmo dissolver-se.
(continua…)

1 de maio de 2010

Lodjong X

10) Lodjong: A prática principal (máxima 3)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

3 – Contempla a essência da inteligência não-nascida.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Contempla a natureza não nascida do conhecedor.» «Contempla a natureza do conhecimento inato.»
É também ver a vacuidade da experiência, ver a vacuidade do experimentador. Para se ver, olha-se. Olhamos então aquilo que somos, aquilo que é o sujeito observador; e à força de observar o que pela sua natureza se esconde à observação, observamos o sentido do inobservável…
É uma paráfrase de uma estância dos Votos de Mahamudra.
É uma espécie de koan. À força de contemplar, de, «girar cada vez mais depressa», pode haver aí uma fresta… uma observação que é nesse momento uma visão da vacuidade. É a vacuidade do observador.
A primeira estância toma em consideração, mais particularmente, os fenómenos do mundo exterior, os objectos. Esta interessa-se pelo conhecedor, pelo espírito que conhece ou que faz a experiência dessas aparências como sendo semelhantes a um sonho
Esse espírito, esse conhecedor, esse conhecimento, como é que são eles?
Examinamos assim esse espírito, o nosso espírito, mesmo se há uma “démarche” paradoxal na tentativa do sujeito observar-se a si mesmo, sendo que aquele que procura é precisamente aquele que é suposto ser visto. Assim, há muitas etapas nesta prática e a contemplação do que nós somos, daquilo que em nós conhece, a contemplação do conhecimento nele mesmo revela-nos pouco a pouco uma situação muito mais fluida e suave, pois não encontramos profundamente alguma coisa de estável, de sólida à qual possamos dar o nome de eu, de observador ou de conhecedor.

24 de abril de 2010

Lodjong IX

9) Lodjong: A prática principal (máxima 2)

Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

2 - Considera os fenómenos como sonhos
III – BODHICITTA ÚLTIMO
Poder-se-ia também dizer: «Experimenta todas as coisas como sonhos.»

Para se se abrir ao despertar do coração e do espírito é necessário acalmar-se. É na quietude que se relaxam as concepções. Trata-se de acalmar o que nós somos.
O facto é que a solidez do que somos constrói-se na relação sólida que mantemos com um mundo sólido. A prática é o aprender a ver a fluidez do mundo, o que permite ter com este uma relação mais suave e assim descontrair-se interiormente, ser-se menos duro, menos sólido. É aí que intervém este aforismo.
No sonho, o «pensador-sujeito-onírico» experimenta as projecções do seu espírito como mundo onírico; e se virmos as nossas projecções diurnas pelo que elas são, vimos todas as coisas como sonho.
É uma forma de sugerir que estas experiências são destituídas de natureza própria, de natureza em si, como o seria a experiência de um sonho reconhecido como tal.

9 de abril de 2010

UBP e Marcha pelos Animais


Tal como no passado apoiou outras manifestações em defesa de homens e animais, a União Budista Portuguesa apoia a Marcha-Protesto contra todos os maus-tratos aos animais que decorre no Sábado, 10 de Abril, a partir das 14h, no Campo Pequeno, em Lisboa.

Exortamos todos os praticantes e simpatizantes da via do Buda a juntarem-se a esta iniciativa cívica, num espírito não-violento, pelo bem das vítimas e dos agressores, que, segundo a lei da causalidade kármica, ao agredir estão a criar as condições para o seu sofrimento futuro. Recordamos que, segundo os ensinamentos do Buda, todos os seres são nossos íntimos parentes, tendo em comum a consciência e a sensibilidade, o desejo de bem-estar e o de não sofrer.
Saibamos unir sabedoria e compaixão na construção de um mundo melhor para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos!

7 de abril de 2010

O poderoso acesso de instrospecção de Jill Bolte Taylor


Jill Bolte Taylor teve uma oportunidade de investigação que poucos neurocientistas desejariam ter: ela sofreu um AVC e viu as suas funções cerebrais - movimento, fala, consciência de si - cessarem um por um. Uma história surpreendente.
Clique em View subtitles e escolha Portuguse (Portugal) para ver com legendas em Português.



Traduzido para Português (Portugal) por Marta Pereira
Revisto por 
Orlando Figueiredo

2 de abril de 2010

Lodjong VIII

) Lodjong: A prática principal
(introdução)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Introdução:
III – BODHICITTA ÚLTIMO
A nossa atitude habitual
Habitualmente vivemos constantemente no jogo das nossas projecções. O nosso karma, as impressões latentes no nosso espírito, condicionam a nossa percepção do mundo e não percebemos nunca a realidade, o «real tal qual», mas o resultado de uma interpretação do real condicionada pelo nosso karma. O real passa através do filtro deformador do nosso mental habitual. Projectamos sobre a realidade todos os tipos de noções, de aparências, e em vez de perceber o real, não percebemos senão a nossa versão.
Vivemos assim numa espécie de bolha, de esfera, connosco ao centro e o nosso mundo à volta. Cada um tem a tendência de viver na sua esfera e há mais ou menos encontros, interpretações; isso depende da opacidade da esfera…