30 de maio de 2010

Mathieu Ricard


Mathieu Ricard, monge budista


Trocou a investigação em biologia molecular pelo budismo, a Europa pelos Himalaias e, trinta anos depois, é o intérprete oficial do Dalai Lama. O monge budista Mathieu Ricard é o convidado de Carlos Vaz Marques para uma conversa sobre fé e ciência.
Use a hiperligação para ouvir a entrevista na TSF.



28 de maio de 2010

Lodjong XIV

14) Lodjong: A prática principal
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Conclusão
III – BODHICITTA ÚLTIMO (conclusão)
O “rappel” do coração-espírito desperto último
Bodhicitta último descobre-se e depois cultiva-se em instantes de rappel durante os quais se faz uma experiência de abertura e transparência. São os dois pontos-chave de bodhicitta último. A experiência de abertura é a que é vivida quando «abandonamos», em que nos desprendemos em relação a uma situação à qual estamos investidos.
É comparável ao instante de pause da meditação sentada. É uma experiência de espaço, uma experiência que traz espaço na nossa vida.

25 de maio de 2010

A influência do Daoismo e do Budismo na Deep Ecology


No próximo dia 27 de Maio, pelas 17h, Ana Cristina Alves, doutorada no pensamento filosófico chinês, dará uma prelecção sobre o tema: "A influência do Daoismo e Budismo na Deep Ecology". A sessão realizar-se-á no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras de Lisboa e enquadra-se no curso de Filosofia e Estudos Orientais (entrada livre para esta sessão).



O Movimento Ecologia Profunda (MEP) surgiu durante a década de 70 pelo génio do filósofo norueguês Arne Naess (ver foto). No entanto, é pela mão de Bill Devall e George Sessions, ambos estado-unidenses, que as ideias e princípios quer do movimento quer da sua plataforma são dados a conhecer ao mundo. Daí que frequentemente, se pense que estes autores são os criadores originais do MEP. Este movimento surge como resposta filosófica e ética à crise ecológica que se tem vindo a acentuar quer no mundo físico quer nas nossas percepções deste. A designação ecologia profunda (deep ecology) surge por oposição ao termo ecologia superficial (shalow ecology) que Naess atribui aos aspectos mais técnicos e menos filosóficos da ecologia.

21 de maio de 2010

Lodjong XIII

13) Lodjong: A prática principal (máxima 6)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
b) Entre as sessões sentadas

6 – Entre as sessões: sê pessoa transparente
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
A ideia aqui é, entre as sessões de meditação, aprender a conservar a experiência descoberta durante a sessão. Trata-se de descobrir uma continuidade de experiência que vá no sentido da integração da experiência meditativa fora das sessões… e, pouco a pouco, mesmo de uma dissolução do limite entre a meditação e o pós meditação.

Matthieu Ricard em Lisboa - dia 26 - 21 h na aula magna da Reitoria da Universidade de Lisboa


Reservas/ Informações: 707 234 234
Locais de venda: Bilheteira da sala, Fnac, Ag. ABREU, Worten,
C. C. Dolce Vita, Megarede, El Corte Inglês (Lisboa e Gaia) e 
www.ticketline.sapo.pt


Matthieu Ricard é um monge budista francês, fotógrafo e autor. Vive e trabalha no mosteiro Shechen Tennyi Dargyeling no Nepal, Himalaias, há quarenta anos.
Nascido em França em 1946, filho do conhecido filósofo francês Jean-François Revel, cresceu no seio das ideias e personalidades dos círculos intelectuais franceses. Viajou para a Índia em 1967.

14 de maio de 2010

Lodjong XII

12) Lodjong: A prática principal (máxima 5)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

5 – Ficar então na natureza do alaya é a essência da via.
III – BODHICITTA ÚLTIMO
Pode também dizer-se «Permanecer na natureza do alaya é a essência da via». Ou: «A essência da via é ficar na natureza do alaya.»
Distinguimos frequentemente oito níveis de consciência. Há as consciências sensoriais ligadas aos seis sentidos; são as primeiras. Há uma sétima consciência que se apropria, se enxerta às seis primeiras. É de alguma forma a consciência das seis primeiras consciências, o facto de se ser consciente, de perceber em termos de objectos visuais, auditivos, olfactivos, etc. É a consciência do ego, o sentimento do eu que se vem enxertar às experiências sensoriais. E o oitavo nível é o que chamamos de consciência fundamental, o alaya-vijñana, ou muito simplesmente o alaya.
É o nível fundamental que é a base tanto da confusão e da experiência do samsara como do despertar.

7 de maio de 2010

Lodjong XI

11) Lodjong: A prática principal (máxima 4)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)            Durante as sessões sentadas

4 – Mesmo o que já foi remédio auto-liberta-se.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Deixa a liberdade libertar-se de si mesma.» «Deixar os remédios libertarem-se de si mesmos.» Ou ainda: «O remédio liberta-se de si próprio.»
Todas as considerações que utilizámos para chegar à experiência de não-concepção, paremos de as conceber. Temos necessidade de concepções para realizar o para lá das concepções mas por fim é necessário abandonar as concepções, tendo elas sido antídotos. Senão as concepções continuam indefinidamente e tornam-se o obstáculo à não-concepção. Este «abandonar» é um desapegar radical, ranbap em tibetano.
A prática mais profunda de bodhicitta último requer que as produções mentais, utilizadas num primeiro tempo como remédios, por sua vez se apazigúem; pois enquanto o espírito funcionar nas suas concepções, está numa experiência dualista.
Por antídoto, entendemos os diferentes meios, os diferentes métodos usados precedentemente. Num primeiro tempo, consideramos o que nos aparece como projecções, depois consideramos a insubstancialidade do observador.
Estas considerações são um remédio para a nossa percepção habitual na qual vivemos o mundo exterior assim como nós mesmos, como sólidos, como existindo realmente. Depois, esses remédios devem eles próprios ser ultrapassados numa atitude de descontracção e de abandono. Abandonamos até a consideração de remédios, deixamo-la a ela mesmo dissolver-se.
(continua…)

1 de maio de 2010

Lodjong X

10) Lodjong: A prática principal (máxima 3)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a)     Durante as sessões sentadas

3 – Contempla a essência da inteligência não-nascida.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Contempla a natureza não nascida do conhecedor.» «Contempla a natureza do conhecimento inato.»
É também ver a vacuidade da experiência, ver a vacuidade do experimentador. Para se ver, olha-se. Olhamos então aquilo que somos, aquilo que é o sujeito observador; e à força de observar o que pela sua natureza se esconde à observação, observamos o sentido do inobservável…
É uma paráfrase de uma estância dos Votos de Mahamudra.
É uma espécie de koan. À força de contemplar, de, «girar cada vez mais depressa», pode haver aí uma fresta… uma observação que é nesse momento uma visão da vacuidade. É a vacuidade do observador.
A primeira estância toma em consideração, mais particularmente, os fenómenos do mundo exterior, os objectos. Esta interessa-se pelo conhecedor, pelo espírito que conhece ou que faz a experiência dessas aparências como sendo semelhantes a um sonho
Esse espírito, esse conhecedor, esse conhecimento, como é que são eles?
Examinamos assim esse espírito, o nosso espírito, mesmo se há uma “démarche” paradoxal na tentativa do sujeito observar-se a si mesmo, sendo que aquele que procura é precisamente aquele que é suposto ser visto. Assim, há muitas etapas nesta prática e a contemplação do que nós somos, daquilo que em nós conhece, a contemplação do conhecimento nele mesmo revela-nos pouco a pouco uma situação muito mais fluida e suave, pois não encontramos profundamente alguma coisa de estável, de sólida à qual possamos dar o nome de eu, de observador ou de conhecedor.