10) Lodjong: A prática principal (máxima 3)
Homenagem à imensa Compaixão
A prática principal: cultivar bodhicitta
Cultivar bodhicitta absoluto
a) Durante as sessões sentadas
3 – Contempla a essência da inteligência não-nascida.
III – BODHICITTA ÚLTIMO (continuação)
«Contempla a natureza não nascida do conhecedor.» «Contempla a natureza do conhecimento inato.»
É também ver a vacuidade da experiência, ver a vacuidade do experimentador. Para se ver, olha-se. Olhamos então aquilo que somos, aquilo que é o sujeito observador; e à força de observar o que pela sua natureza se esconde à observação, observamos o sentido do inobservável…
É uma paráfrase de uma estância dos Votos de Mahamudra.
É uma espécie de koan. À força de contemplar, de, «girar cada vez mais depressa», pode haver aí uma fresta… uma observação que é nesse momento uma visão da vacuidade. É a vacuidade do observador.
A primeira estância toma em consideração, mais particularmente, os fenómenos do mundo exterior, os objectos. Esta interessa-se pelo conhecedor, pelo espírito que conhece ou que faz a experiência dessas aparências como sendo semelhantes a um sonho
Esse espírito, esse conhecedor, esse conhecimento, como é que são eles?
Examinamos assim esse espírito, o nosso espírito, mesmo se há uma “démarche” paradoxal na tentativa do sujeito observar-se a si mesmo, sendo que aquele que procura é precisamente aquele que é suposto ser visto. Assim, há muitas etapas nesta prática e a contemplação do que nós somos, daquilo que em nós conhece, a contemplação do conhecimento nele mesmo revela-nos pouco a pouco uma situação muito mais fluida e suave, pois não encontramos profundamente alguma coisa de estável, de sólida à qual possamos dar o nome de eu, de observador ou de conhecedor.